Acordo com Coreia é vantajoso para o Brasil, diz estudo

Atualizado: Set 9

Simulação da Secex indica que um eventual tratado poderá gerar aumento de R$ 416,8 bilhões no PIB brasileiro em valores acumulados entre 2021 e 2040



Temido por setores da indústria, o acordo de livre comércio Mercosul-Coreia é vantajoso para o Brasil, segundo estudo de impacto recém-concluído pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.


A simulação indica que um eventual tratado poderá gerar aumento de R$ 416,8 bilhões no PIB brasileiro em valores acumulados entre 2021 e 2040. As duas partes terão uma nova rodada de negociações nesta semana, de forma virtual, na tentativa de avançar em direção a um acordo.


“A partir de simulações de impacto realizadas com base em um modelo de equilíbrio geral de dinâmica recursiva, estima-se que um acordo de livre comércio com a Coreia do Sul trará resultados positivos para o PIB, para as exportações e importações e para os investimentos no Brasil, além de queda no nível geral de preços”, afirma o estudo da Secex, que vai ser divulgado nos próximos dias.


Segundo o levantamento, até 2040, as exportações brasileiras ao mercado coreano devem crescer 152,6% na indústria de transformação e 115,1% na agricultura acima de um cenário-base (sem a existência de livre comércio). As exportações de serviços podem ter uma alta de 12,7% no período.


O comércio bilateral de bens foi de US$ 8,3 bilhões em 2020. A Coreia já representa o 11º mercado para as vendas de produtos brasileiros ao exterior e está em quinto como origem das compras. O país asiático tem apostado em “mega-acordos” comerciais e possui 17 tratados atualmente, com alta ambição nas reduções tarifárias, em muitos casos com eliminação das alíquotas sobre mais de 90% dos bens comercializados entre as partes e compromissos robustos em temas não tarifários, como propriedade intelectual e serviços.


“Para resguardar sensibilidades, principalmente no setor agrícola, o país costuma fazer uso de períodos longos de desgravação, que chegam a 15 e 20 anos, além de cotas tarifárias e medidas de salvaguarda”, diz um trecho do estudo. A tarifa média considerada é de 13,6% - 56,8% para bens agrícolas e 6,6% para não agrícolas.


As simulações foram destrinchadas para 65 setores. Haveria aumento das exportações brasileiras para a Coreia em 59 deles - com destaque para carnes, produtos alimentícios, vegetais e frutas, químicos, açúcar, vestuário, couro e calçados estão entre os destaques. As vendas coreanas para o Brasil teriam crescimento em 55 setores - destaque para vestuário, equipamentos elétricos, veículos motorizados, máquinas.




Por Daniel Rittner — De Brasília

30/08/2021

Fonte: Valor Econômico