Automação de casas no Brasil deve movimentar US$ 291 milhões este ano

Proporção de famílias que têm cinco ou mais dispositivos inteligentes é de 49%


Com mais gente passando mais tempo em casa, o ano promete bons negócios para fornecedores de equipamentos de automação doméstica. Segundo a empresa de pesquisas IDC, o setor deve movimentar US$ 291 milhões no Brasil em 2021, alta de 21% ante 2020. Ao mesmo tempo, um estudo da desenvolvedora de soluções para segurança digital Avast mostra que a proporção de famílias brasileiras que têm casas com cinco ou mais dispositivos inteligentes cresceu de 43%, em Dezembro de 2019, para 49%, em Setembro de 2020.


O mercado compete com produtos como lâmpadas wi-fi e câmeras dotadas de sensores de presença, aspiradores de pó autônomos e caixas de som que controlam outros equipamentos por comandos de voz.


Na paranaense Positivo Tecnologia, que desenvolve a linha casa inteligente, o portfólio passou de três kits de produtos em 2019 para mais de 20 combos. Em 2020, o número de usuários subiu cerca de 1.400%. “Estamos em mais de 300 mil residências no Brasil”, diz o vice-presidente de negócios de consumo, Norberto Maraschin Filho.


O desenvolvimento dos itens é feito no Brasil e a fabricação é partilhada entre as plantas da Positivo (Manaus, Ilhéus e Curitiba) e parceiros na Ásia. Uma das novidades mais procuradas, segundo Maraschin, é uma lâmpada que exibe mais de 16 milhões de cores e responde a comandos de voz de caixas de som inteligentes, como a Alexa, a assistente virtual da Amazon.


Além de itens da Positivo, Daniel Almeida, gerente de desenvolvimento de negócios para a Alexa no Brasil, diz que foram mapeados mais de 500 produtos compatíveis com a assistente, de marcas como Samsung e Intelbras. As ofertas englobam smart TVs e aparelhos de ar-condicionado. “Antigamente, para ter uma casa inteligente, era necessário contratar um especialista”, diz Almeida. A tecnologia de voz da Alexa torna mais fácil conectar esses dispositivos.


A Alexa foi lançada no Brasil em 2019. Recebe comandos de voz e executa funções por meio de inteligência artificial. A quantidade de skills (habilidades desenvolvidas por terceiros que podem ser “aprendidas” pela máquina) cresceu de 300, à época do lançamento, para mais de 1,4 mil, até o fim do ano passado.


Entre as demandas mais populares no Brasil está o acesso a músicas e jogos do desenho Galinha Pintadinha, solicitado mais de 200 mil vezes, até Novembro de 2020. O dispositivo também pode “pedir” comida em serviços de delivery, chamar um táxi ou apagar as luzes de casa.


Em Março, a Amazon liberou no Brasil o Echo Show 10, conhecido como uma Alexa “repaginada”. A diferença dessa versão é uma tela HD de dez polegadas acoplada, que acompanha os movimentos do usuário. Custa R$ 1,9 mil. Em menos de um ano, a família Echo cresceu de três para seis modelos, de acordo com a empresa.


Luciano Barbosa, head da Xiaomi Brasil, diz que a operação para casas conectadas tem mais de 400 produtos, todos importados da China. A marca chegou oficialmente ao Brasil em Junho de 2019, por meio de loja em São Paulo e canais de ecommerce.

Um dos atrativos é um robô aspirador de pó, controlado por aplicativo. É possível sair de casa, manter a máquina ligada e receber no celular o andamento da limpeza. Em quase dois anos, a fabricante quintuplicou o portfólio no mercado nacional.


Adrilles Carvalho, diretor de marketing da Philips Brasil, diz que a multinacional holandesa vai lançar os primeiros produtos conectados no país no terceiro trimestre de 2021. Os planos incluem ofertas de uso pessoal, como um barbeador, também monitorado por app, que “entende” a densidade do pelo e adapta a rotação das lâminas para evitar irritações na pele.


A concorrência no setor deve seguir crescendo nos próximos meses. Em Fevereiro, a chinesa Huawei apresentou em uma feira de tecnologia de Xangai seu primeiro projeto de casa inteligente, com opções para sala, cozinha, escritório e garagem. Já o Google acaba de lançar no Brasil o Nest Audio, que compete com similares da Amazon na faixa dos R$ 800 e acirra a disputa no nicho de alto-falantes autônomos.


Por Jacilio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo

29/04/2021

Fonte: Valor Econômico