Brasil importa mais vinho português, até na pandemia

Atualizado: Set 9

Evento digital Vinhos de Portugal terá 66 produtores neste ano



A pandemia reduziu a produção e consumo de vinho em Portugal, mas o mesmo não aconteceu com relação ao consumidor brasileiro. Pelo contrário, as exportações de vinhos portugueses para o Brasil vêm aumentando, em volume e valor.


No ano passado, Portugal exportou 68 milhões de euros para o Brasil (23,6% a mais do que em 2019) e 25 milhões de litros, um crescimento de 26,4% comparado ao ano anterior. “O Brasil foi o país que mais cresceu nas exportações de vinho português e tornou-se nosso maior mercado no mundo se não considerarmos o vinho do Porto, que tem um peso substancial”, diz Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, parceira dos jornais Valor, “O Globo” e “Público” na oitava edição do evento Vinhos de Portugal, que será realizado em outubro (ver quadro).


“Houve um crescimento expressivo de Portugal na importação de vinhos”, diz Carlos Abar, CEO da Product Audit Internacional, empresa de informações sobre produtos com alto valor agregado. Ele compara dados e mostra que entre julho de 2019 e junho de 2020 foram importadas 2,1 milhões de caixas e que no ano seguinte, entre julho de 2020 e junho de 2021, esse número subiu para 3 milhões. “Houve um recorde de crescimento do vinho português no Brasil e é curioso que o mais vendido tenha sido o Casal Garcia, um branco, quando o brasileiro é consumidor de vinho tinto”.


A desvalorização do real face ao dólar e ao euro encarece produtos importados. E o desafio dos importadores foi manter a clientela de rótulos de maior prestígio. É o que diz Bernardo Silveira Pinto, diretor técnico e comercial da Zahil, que tem uma relação muito forte com Portugal e importa o portfólio da Casa Ferreirinha.


“Nossos últimos anos têm sido de relativo crescimento e estabilidade apesar de todas as crises. A pressão dos preços é constante e tem um impacto maior para pequenos produtores do que para uma casa estabelecida como a Ferreirinha, que faz parte de um grande grupo como a Sogrape (a maior multinacional de vinhos portuguesa)”, diz Silveira Pinto.


Segundo ele, é muito difícil um consumidor mudar a faixa de consumo para cima, o mais comum é baixar a qualidade do produto adquirido. “O que a gente vê no mercado, ultimamente, é uma entrada grande de produtos de preços mais baratos para manter a demanda em real, porque tivemos uma perda de poder aquisitivo muito grande”.


O evento Vinhos de Portugal será digital, pelo segundo ano consecutivo, em virtude da pandemia. Os produtos serão entregues na casa dos participantes - os assinantes do Valor e do “O Globo” terão 20% de descontos na compra dos ingressos. Dos 66 produtores participantes, 25 são novos, em relação ao ano passado. O Instituto do Vinho do Douro e do Porto (IDVDP) participa do evento, que tem ainda o apoio de Comissão Vitivínicola do Alentejo, Comissão Vitivinícola de e Setúbal, restaurante oficial Bairro do Avillez, e projeto da Out of Paper.


Além das degustações comandadas por especialistas, tradicionais nas edições anteriores, um dos destaques deste ano são os talk shows apresentados por convidados brasileiros: chefes de cozinha, apresentadores, atores e cantores, que não são experts mas apaixonados por vinho. A ideia é que privilegiem a história e a cultura em vez de aspectos técnicos e façam perguntas como qualquer pessoa faria.




Por Maria da Paz Trefaut — Para o Valor, de Paris

30/08/2021

Fonte: Valor Econômico