China estuda fim da restrição no número de filhos por casal

A taxa de natalidade é a mais baixa desde a fundação da República Popular, em 1949


A China passou a demonstrar mais urgência com relação à sua crise demográfica iminente e autorizou que três províncias do nordeste do país examinem a possibilidade de eliminar as restrições sobre o número de filhos que cada mulher pode ter.


A Comissão Nacional de Saúde informou que Liaoning, Jilin e Heilongjiang poderão estudar a redução dos limites de natalidade. A pesquisa pode levar a programas-piloto de ajuste das políticas de planejamento familiar.


A antiga política do filho único foi instituída no país por volta de 1980, em meio a temores de superpopulação. Ela se tornou vítima do próprio sucesso, com uma população em idade economicamente ativa cada vez menor, o que reduz a taxa potencial de crescimento econômico e provoca preocupações com a rede de seguro social.


O governo mudou de rumo em 2016, com uma política de dois filhos por família. O número de nascimentos aumentou naquele ano, mas desde então tem caído.


A taxa de natalidade da China - número de nascimentos dividido pelo total de habitantes - chegou a 1,048%em 2019, a mais baixa já registrada desde a fundação da República Popular, em 1949.


A expectativa é que o cálculo oficial do número anual de nascimentos encolha mais ainda nos dados que devem ser anunciados já na primavera. As informações dos registros de domicílios, uma medida ligeiramente diferente, mostram que o número de recém-nascidos caiu 15% no ano passado.


As taxas de natalidade em Liaoning, Jilin e Heilongjiang são as mais baixas entre as 31 províncias e cidades de nível provincial da China, e vão de 0,573% a 0,645%.


Mas mesmo a eliminação dos limites não significa que as populações dessas províncias vão necessariamente parar de encolher. A Comissão Nacional de Saúde acredita que os casais no nordeste da China relutam em ter filhos porque se preocupam com o custo financeiro e a segurança no emprego das mulheres.


Em resposta a isso, as províncias começaram a reunir especialistas para analisar fatores econômicos e sociais antes de promover quaisquer mudanças de política. Elas também farão estimativas populacionais para depois que as restrições ao número de filhos forem suspensas e para avaliar que medidas de assistência infantil serão necessárias.


O fim das restrições ao número de filhos está apenas na fase de planejamento, e ainda não foi definido nenhum cronograma concreto.

Por Iori Kawate — Nikkei, de Pequim

Fonte: Valor Econômico - 22/02/2021

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