China pode triplicar fatia no comércio da AL até 2035

Atualizado: Mai 20

Estudo mostra que participação da China subirá para 15% a 24% das exportações e importações totais da América Latina com o planeta

Fonte: Foto Epocanegocios



Até 2035, a China poderá mais do que triplicar sua participação na corrente de comércio total da América Latina com o mundo, ameaçando tirar dos Estados Unidos a histórica posição de maior parceiro comercial da região, segundo estudo lançado pelo Atlantic Council, um dos principais “think tanks” em relações internacionais, com base em Washington.


O estudo, conduzido por três pesquisadores independentes - David Bohl, Pepe Zhang e a brasileira Tatiana Prazeres -, simula quatro cenários diferentes para avaliar os rumos das transações comerciais entre países latino-americanos e o gigante asiático.


Dependendo do cenário, a participação da China subirá para 15% a 24% das exportações e importações totais da América Latina com o planeta. Hoje essa fatia está em 7,4%. “Embora uma participação em torno de um quarto do comércio da região não pareça particularmente elevada, o fato de que a China representava menos de 2% do comércio latino-americano em 2000 faz esse número de 2035 saltar aos olhos”, diz o estudo, em sua conclusão.


Em uma das quatro simulações, que presume um crescimento econômico mais acelerado na América Latina e a necessidade de mais importações, muitos países da região trocariam os Estados Unidos pela China como seu principal fornecedor de bens.


No caso do Brasil, especificamente, esse cenário resultaria em déficit comercial com a China da ordem de 0,7% do PIB. O país não tem saldo negativo “consistente” com Pequim desde 2000, lembra o estudo. No ano passado, houve superávit de US$ 33,6 bilhões - puxado pelas vendas brasileiras de soja, minério de ferro e petróleo.


Mesmo no cenário mais conservador, que prevê a manutenção das premissas atuais (“current path”), o comércio América Latina-China cresceria cerca de 80% e atingiria US$ 700 bilhões em 2035. No Brasil, a China passaria a representar 26,9% das nossas importações (hoje essa participação está em 21,4%) e 32,2% das exportações (igual a 2020).


Tatiana Prazeres, uma das co-autoras do estudo, foi secretária de Comércio Exterior (governo Dilma Rousseff) e assessora sênior do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Hoje ela atua como “senior fellow” na Universidade de Negócios Internacionais e Economia em Pequim. Bohl é professor na Universidade de Denver (EUA) e Zhang é diretor associado do próprio Atlantic Council.



Por Daniel Rittner — De Brasília

13/05/2021

Fonte: Valor Econômico

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