Chuva em MG e demanda na China puxam minério de ferro

Cotação fechou janeiro com alta acumulada de 21,56%



As fortes chuvas em Minas Gerais, grande produtora de minério de ferro, aliada a uma expectativa do mercado de que o governo chinês pode diminuir a pressão sobre as siderúrgicas, fizeram o preço da commodity disparar em Janeiro. A principal matéria-prima do aço acumulou ganhos de 21,56% e fechou o mês, segundo a publicação especializada “Fastmarkets MB”, sendo negociada a US$ 146,78 a tonelada.


Segundo o analista do Santander, Rafael Barcellos, o principal ponto positivo para os preços do minério de ferro vieram das incertezas de oferta que surgiram desde o início de Janeiro, uma vez que os produtores brasileiros interromperam temporariamente as operações devido às fortes chuvas em Minas Gerais.


“Acreditamos que Janeiro e Fevereiro devem ainda ter reflexos da sazonalidade na oferta, com o período chuvoso em Minas Gerais”, diz Barcellos. Segundo ele, a Vale, segunda maior produtora mundial, já anunciou a retomada gradual de suas operações nos Sistemas Sul/Sudeste estimando um impacto na produção de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, abaixo da estimativa do banco que era de 1,8 milhão de toneladas.


“Mantemos a estimativa de preço médio para 2022 de US$ 105 a tonelada, as incertezas climáticas devem pressionar a oferta”, diz Barcellos. “ Mas, acreditamos em uma demanda um pouco melhor a partir de Março com o afrouxamento das restrições à produção de aço na China. Essa combinação pode fazer com que o preço médio seja maior.”


Do lado da demanda, segundo Barcellos, há uma tendência de flexibilização na política chinesa de controle de emissões. “Apesar de termos uma previsão de produção de aço chinesa mais fraca em Janeiro e Fevereiro, esperamos que os controles relacionados à poluição sejam flexibilizados em Março, o que pode liberar um impulso positivo para a demanda de minério de ferro.”


Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, espera uma retomada dos níveis de produção de aço após as Olimpíadas de Inverno e isso pode refletir na demanda por minério de ferro. “Em Janeiro observamos um movimento mais forte do que imaginávamos com as indústrias formando estoques para a volta da produção no fim de Fevereiro”, afirma.


Segundo ele, até a primeira quinzena de Fevereiro a produção ainda será fraca na China. “Há notícias de que na província de Hebei foram adotadas medidas mais restritivas a partir de agora para manter as emissões sobre controle por causa das Olimpíadas”, afirma Sasson.


Por isso, diz o analista, não deve haver uma variação significativa dos preços da commodity no curto prazo. “O ponto principal será a velocidade de retomada da produção siderúrgica após esse evento, além dos impactos de medidas de estímulos à construção civil, que representa 30% do PIB chinês.”


Para Rafael Foscarini, da Belo Investment Research, outro fator que pode afetar os preços do minério de ferro após o primeiro trimestre são as restrições na economia, principalmente na Austrália, por causa do avanço da variante ômicron. “No lado da demanda a inflação na China em Dezembro veio abaixo do esperado e com isso o governo pode afrouxar as medidas de restrição na siderurgia. Com a demanda voltando, o preço tende a subir.”


Por Ana Paula Machado — De São Paulo

01/02/2022

Fonte: Valor Econômico