Guedes fala em taxa de câmbio equilibrada em cerca de R$ 4,50

Ministro voltou a minimizar impasse sobre Orçamento


O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que a taxa de câmbio de equilíbrio deve estar em torno de R$ 4,50 no momento e destacou que o país está avançando com a agenda de reformas e a campanha de imunização, o que deve levar à valorização do real. Ontem, o dólar fechou cotado a R$ 5,57.


Com a aceleração da vacinação em massa e a retomada da economia nos próximos três ou quatro meses, provavelmente o dólar deve cair, disse. “Não posso prometer nada, só trabalho duro”, acrescentou em evento virtual da Brazilian-American Chamber of Commerce.


O ministro voltou a dizer que houve uma mudança do “mix” da política econômica neste governo, com fiscal mais apertado e monetário mais frouxo. O modelo agora é de taxa de juros “sólida” em um dígito e, do outro lado, dólar um pouco mais alto. No entanto, mesmo que a taxa de equilíbrio tenha subido nesse novo cenário, acrescentou, o câmbio parece ter ultrapassado esse nível.


A inflação está acelerando, mas deve ficar dentro das metas estabelecidas pelo Banco Central (BC), disse ainda o ministro. Ele lembrou que a autoridade monetária começou a “apertar o ciclo” de política monetária, elevando a taxa de juros de 2% ao ano para 2,75% ao ano no mês passado.


O movimento “começou até um pouco antes do que as expectativas indicavam”, afirmou. E esse ciclo de elevação deve diminuir a trajetória dos preços, o que levará ao cumprimento da meta. O horizonte relevante para o BC inclui 2021 e, principalmente, 2022, anos para os quais as metas são de 3,75% e 3,5%, respectivamente.


Guedes voltou a minimizar os impasses entre Executivo e Legislativo sobre o Orçamento, considerado inexequível devido à subestimação de despesas obrigatórias. “Não estamos brigando, somos parceiros e cooperamos no Orçamento”, disse. A questão, acrescentou, é como corrigir os “excessos” presentes na peça, que precisa ser sancionada até 22 de abril.


Guedes reforçou que os acordos políticos têm que caber no Orçamento e que o governo não pode concordar com algo que vai além da sua capacidade. “Houve um acordo político, a questão é como entregá-lo”, afirmou. Sem dar mais detalhes sobre a solução que está sendo desenhada, disse que a expectativa é que as negociações “terminem bem”.


O ministro repetiu também que a segunda onda de covid-19 veio “muito mais forte”, mas que, com o avanço da vacinação, a economia deve voltar “mais forte” no segundo semestre.


Com o aumento do número de casos e mortes, o governo se volta novamente ao protocolo da crise e programas como o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), que permitiu a redução de jornada e salário e a suspensão de contratos, e o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) estão sendo relançados, repetiu. Ele não disse, no entanto, quando isso deve acontecer nem como as iniciativas serão viabilizadas.


No campo fiscal, o governo segue com a “agenda de controlar despesas” e não há planos de elevação de impostos. As privatizações ajudarão a reduzir a dívida pública, disse, citando ainda os leilões de infraestrutura desta semana como um exemplo de que a agenda econômica "está andando”.



Por Mariana Ribeiro e Estevão Taiar — De Brasília e São Paulo

09/04/2021

Fonte: Valor Econômico

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