Logística ainda terá efeitos de bloqueio em Suez

Atualizado: Abr 6

Mercado de navegação comemorou liberação do navio encalhado no Canal de Suez, mas prevê impactos indiretos


A liberação do Canal de Suez, na manhã de segunda-feira (29), foi recebida com grande alívio pelo mercado de navegação. Ainda assim, a expectativa é que os efeitos indiretos do bloqueio se estendam pelas próximas semanas, inclusive no Brasil.


O navio “Ever Given” estava encalhado desde a última terça-feira (23), o que levou à formação de uma fila de mais de 450 navios, à espera da liberação para atravessar o canal, segundo a agência “Bloomberg”. O fluxo já foi retomado, mas companhias de navegação estimam um prazo de quatro a seis dias para a normalização das viagens no local.


Para além da retomada das viagens, porém, haverá gargalos na chegada desses navios nos portos - tanto na Europa quanto na Ásia -, com prováveis congestionamentos e atrasos na liberação das cargas. Além disso, algumas embarcações já haviam decidido mudar de rota e contornar a África para chegar à Europa, o que deve atrasar algumas viagens.


Toda essa situação deverá impactar o Brasil indiretamente, tal como todo o comércio global. “Deve haver alguns atrasos e falta de contêineres no mercado global, um problema que já existia antes do bloqueio e que agora deverá se agravar”, afirma Leandro Barreto, sócio da consultoria Solve Shipping, que estima que os entraves devem durar por algumas semanas.


O presidente da consultoria Datamar, Andrew Lorimer, estimou um prazo de aproximadamente um mês até a regularização dos problemas gerados pelo bloqueio do canal pela gigantesca embarcação. Um dos possíveis efeitos para o mercado brasileiro é o aumento dos fretes, que já estavam em patamar alto, avalia Carlos Souza, sócio da Logcomex.


Apesar disso, o cenário foi visto como positivo, considerando que havia projeções de que o bloqueio poderia durar semanas. No domingo à noite, as autoridades já se preparavam para ter que descarregar o navio, uma operação que levaria alguns dias, caso fosse necessária. “Os impactos poderiam ter sido muito piores”, afirma Barreto.



Por Taís Hirata — De São Paulo

30/03/2021

Fonte: Valor Econômico