Maior importação de aço já tira espaço de distribuidores

Atualizado: Jun 28

Segundo Inda, entrada de material plano laminado no país subiu 152% até Maio, somando 718 mil toneladas

Carlos Loureiro, do Inda, diz que procura por produto importado deve perder fôlego ao longo do segundo semestre — Foto: Silvia Costanti/Valor


O mercado de aço plano no Brasil pode se ajustar nos próximos meses. Com a alta nas importações, os distribuidores estão conseguindo manter um estoque regulador em torno de 2,3 meses. Segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), de Janeiro a Maio as compras no exterior de produtos siderúrgicos laminados somaram 718 mil toneladas, uma alta de 89,6%. Já em maio, o volume importado, de acordo com os dados do Inda, alcançaram 189 mil toneladas, registrando evolução de 152,5%.


O presidente executivo do Inda, Carlos Loureiro, disse que esse aumento nas importações, principalmente em maio, fizeram com que os distribuidores de aço perdessem participação no consumo aparente de produtos siderúrgicos no país. As vendas internas da rede comparadas a Abril caíram 6,6%, para 320, 6 mil toneladas. No entanto, em relação a maio de 2020 - momento crítico da pandemia -, o indicador apresentou expansão de 52,7%, conforme o Inda.


“Neste ano, vamos ter uma importação recorde. Somente a performance que tivemos nesses cinco meses já demonstra isso, mas a tendência é diminuir as compras no exterior nos próximos meses. O preço já não está tão atrativo como antes.”


Segundo ele, a tonelada da bobina a quente vendida nos Estados Unidos disparou em maio, chegando a US$ 1,82 mil. “Se compararmos a Agosto de 2020, quando a tonelada era vendida a US$ 520, é uma valorização nunca vista desde a metade do século passado”, disse Loureiro.


No mercado nacional, no entanto, Loureiro não acredita que há espaço para novos aumentos de preço na distribuição no curto prazo. Até Junho, os reajustes na tonelada aplicados pelas usinas foram de 65%. “Não há indicativo de que elas promovam um novo aumento, até porque, o dólar está recuando e já se fala em um patamar menor que R$ 5. Além disso, os preços lá fora já atingiram seu pico e não deverão aumentar mais”, disse Loureiro.


No acumulado do ano, até maio, de acordo com o Inda, as vendas alcançaram 1,65 milhão de toneladas, uma alta de 34,9%.

Em doze meses (Junho a Maio), a alta foi de 27,1% - os distribuidores comercializaram 4,03 milhões de toneladas no período.


Segundo Loureiro, em maio, as vendas diárias foram as melhores desde Agosto de 2014. Foram comercializadas diariamente 15,3 mil toneladas de produtos siderúrgicos. “Para Junho, a nossa expectativas é que as vendas sejam em torno de 300 mil toneladas”, disse Loureiro.


Já as compras de aço pela rede somaram 345,6 mil toneladas no mês, uma evolução de 74,1% no comparativo com o mesmo mês de 2020. No acumulado do ano, de acordo com os dados do Inda, foram adquiridas 1,68 milhão de toneladas, alta de 34,7%. Nos doze meses, o aumento nas compras de produtos siderúrgicos foi de 23,6%, chegando a 3,89 milhões de toneladas.


Segundo Loureiro, com as importações em alta e vendas em queda, o estoque em maio está mais próximo do nível considerado normal pelo Inda. Estão armazenadas 738,4 mil toneladas, o que representa 2,3 meses de vendas. “Há um sentimento geral de que devemos tentar não voltar ao nível de anos atrás, com 3,5 meses de vendas. Em outros lugares do

mundo, os distribuidores trabalham com 2 meses de estoque.”



Por Ana Paula Machado — De São Paulo

23/06/2021

Fonte: Valor Econômico