Piora da pandemia limita os embarques de frutas do país.

Volume exportado caiu 1% no primeiro bimestre, diz Abrafrutas


A piora da pandemia de covid-19, que levou muitos países da Europa a adotar novamente medidas mais restritivas para a circulação de pessoas, refletiu-se nos embarques brasileiros de frutas nos primeiros meses de 2021. Os embarques totais em janeiro e fevereiro somaram 155,8 mil toneladas, volume 1% menor que o do mesmo intervalo do ano passado, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).


A receita total com as vendas ao exterior aumentou 3%, para US$ 114,9 milhões. No entanto, o desempenho não foi uniforme. Entre as frutas mais importantes na pauta de exportações brasileira, houve casos de crescimento de três dígitos, como os ocorridos na maçã, com alta de 238% em volume e de 249% na receita das vendas. A uva também ganhou espaço. No primeiro bimestre, as vendas da fruta ao exterior cresceram 74% em volume em comparação

com o mesmo período de 2020. A receita, por sua vez, aumentou 58%, para US$ 4,8 milhões.


Entre os itens com retração apareceram limões e limas, terceiro que mais gerou receita ao Brasil no primeiro bimestre. Os volumes foram 15% menores que os do mesmo período do ano passado. Essas vendas renderam US$ 14,9 milhões, ou 13% a menos que nos dois primeiros meses de 2020. O mamão, com queda de 6% nos volumes exportados e de 8% na receita, também recuou.


As vendas de manga, igualmente importantes na pauta comercial do segmento - a fruta é a segunda que mais gera receita de exportações ao país, atrás apenas do melão -, até cresceram em volume, mas o aumento, de 5%, não se refletiu em mais recursos. A receita no primeiro bimestre deste ano, de US$ 15,2 milhões, repetiu o desempenho do mesmo intervalo de 2020.


“Em alguns locais, o ‘lockdown’ foi tão abrangente e rigoroso que afetou o consumo. Muitas pessoas não conseguiram ir ao mercado”, diz Jorge de Souza, gerente técnico e de projetos da Abrafrutas.


Um dos casos particularmente negativos no primeiro bimestre foi o do abacate. De um lado, suas exportações sofreram com a retração da demanda causada pelas novas medidas de restrição no exterior - Europa e Estados Unidos respondem por cerca de 90% das importações de frutas brasileiras. De outro, a seca em áreas de cultivo - o abacate é uma cultura perene -, registrada no fim de 2020, reduziu a qualidade dos frutos, e, com isso, afetou a receita com os embarques.


No primeiro bimestre do ano passado, o abacate ficou entre as dez frutas que o Brasil mais vendeu ao exterior. Mas, com os reveses no início de 2021, a fruta deixou esse grupo. Em volume, as exportações brasileiras de abacate caíram 39% no acumulado entre janeiro e fevereiro. O recuo foi ainda maior na receita: a queda foi de 43%, para US$ 513,5 mil.


“A seca afetou o ‘calibre’, o tamanho das frutas. Isso aconteceu tanto no abacate avocado quanto no tropical”, diz Jonas Octávio, gerente comercial da L.A. Ferretti Frutas, uma das principais produtoras de abacate do país. Ele não acredita na retomada da demanda europeia tão cedo.


A Abrafrutas trabalha hoje com dois cenários para as exportações neste ano, explica Souza. No mais otimista, que considera um avanço mais acelerado da vacinação contra a covid-19, os embarques ganharão tração no segundo semestre e encerrarão o ano com aumento de 5% a 6%, similar ao de anos anteriores.

No quadro mais pessimista, a vacinação na Europa será lenta, com o surgimento de novas ondas da doença. “Nesse cenário, podemos ter um impacto negativo maior”, afirma.


Por Naiara Albuquerque — De São Paulo

07/04/2021

Fonte: Valor Econômico

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