Preço de alguns importados pressiona inflação

Análise do Ibre mostra aumento de compras externas em volume e alta de cotação de bens como algodão

Após cinco meses de queda, a importação aumentou em volume em novembro e preços médios de alguns produtos desembarcados apontam pressão inflacionária, segundo boletim do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) levantado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), que deve ser divulgado hoje.

A balança comercial de novembro teve superávit de US$ 3,7 bilhões, resultado de US$ 17,5 bilhões em exportações e US$ 13,8 bilhões em importações. Em valores, as exportações recuaram 1,2% contra igual mês de 2019 enquanto as importações caíram um pouco mais, em 2,6%. A análise separada de volumes e preços da pesquisa do Icomex, porém, mostra que a quantidade desembarcada reagiu em novembro, com alta de 9,5%, enquanto os preços médios em dólar das importações caíram 11,1%, sempre em comparação com igual mês de 2019.



Apesar da queda de preços médios no total das importações, o boletim do Ibre também destaca que produtos como algodão, óleo de soja, soja em grão, arroz e semimanufaturados de ferro custaram mais caro nos desembarques em novembro, com aumentos acima de dois dígitos no preço médio em dólar em relação a igual mês do ano passado. Com exceção do algodão, os demais produtos mencionados chegaram a apresentar elevação de preços também no acumulado de janeiro a novembro, período no qual os preços médios das compras externas brasileiras caíram 7,6% em relação a igual período de 2019.

O aumento de preços nesses produtos reflete demanda maior e indica possíveis fatores de uma pressão inflacionária advinda das importações, diz Lia Valls, economista e pesquisadora do Ibre. Segundo o boletim, soja em grão, óleo de soja bruto e arroz estão entre os itens que tiveram preço e volume de importação maior em novembro, na comparação com mesmo mês do ano passado. O óleo de soja ficou 26,6% mais caro, considerando preços médios em dólar na importação, enquanto o volume desembarcado subiu 1.251,4%. No acumulado de janeiro a novembro o preço subiu 10,8% e a quantidade, 394,6%, mantendo comparação contra igual período de 2019. A soja em grão avançou em 28% em preços e 918,8% em volume em novembro. Arroz teve aumento de 29,5% em preço e 137,4% em volume no mesmo mês, mantendo a comparação interanual.

O algodão ficou 36,7% mais caro na importação de novembro, mas o volume caiu 44,3%. No acumulado do ano até o mês, houve queda de 1,8% nos preços e aumento de 51,7% na quantidade. Chamam a atenção os semimanufaturados de ferro e aço, cujos preços médios em dólar aumentaram 130,5% nos desembarques de novembro contra igual período do ano passado enquanto o volume caiu 93,7%. No acumulado de janeiro a novembro a tendência é a mesma, com alta de 124,8% nos preços e queda de 59,8% na quantidade, sempre contra igual período de 2019.

Lia lembra que a pandemia trouxe interrupções em cadeias de produção e elevação nos custos de transportes, que também contribui para pressionar preços. O ritmo de retomada da demanda doméstica, avalia a pesquisadora, é algo que ainda não está claro e é o que definirá se as pressões atuais levarão a aumentos sustentados da taxa de inflação.

O crescimento do volume importado em novembro, aponta o boletim, é reflexo de início de retomada. No acumulado de 11 meses, porém, ainda há queda de 8,9% no volume importado, excluindo-se as plataformas de petróleo, com recuo de 7,6% nos preços, sempre contra igual período de 2019. No mesmo critério de comparação, os preços médios em dólar das exportações caíram 6,6% de janeiro a novembro enquanto a quantidade embarcada subiu 0,8%.

Por Marta Watanabe — De São Paulo

Fonte: Valor Econômico - 15/12/2020

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