Ritmo acelerado: Após reabertura, 113 navios já cruzaram o Canal de Suez

Em tempos normais, cerca de 50 navios cruzam diariamente a rota marítima, em uma viagem que pode durar até 16 horas.



As autoridades responsáveis pelo Canal de Suez informaram que 113 navios já cruzaram a hidrovia desde sua reabertura, no início da noite de ontem (horário local), após a operação bem-sucedida para desencalhar o porta-contêineres que bloqueou a travessia por seis dias.


Osama Rabie, diretor da Autoridade do Canal de Suez (SCA, na sigla em inglês), o órgão responsável pela gestão da hidrovia, informou que outras 95 embarcações devem completar a travessia até a noite de hoje no Egito.


A Gulf Agency Co., uma empresa de serviços de transporte marítimo que opera no Canal de Suez, disse que 437 navios esperavam na fila antes do “Ever Given” ser desencalhado após 6 dias de bloqueio de uma das principais rotas comerciais do mundo.


Em tempos normais, cerca de 50 navios cruzam diariamente o Canal de Suez, em uma viagem que pode durar até 16 horas. Mas o ritmo está mais acelerado por causa do bloqueio causado pelo “Ever Given”, e as autoridades esperam acabar com a fila de embarcações em no máximo quatro dias.


Enquanto isso, as empresas estão correndo para garantir espaços nos portos e alertam sobre a possibilidade de mais atrasos para a entrega das cargas que começam a se movimentar em direção a seus destinos.


Além disso, os custos também devem subir, já que muitas companhias de navegação optaram por rotas alternativas, incluindo a passagem pelo Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África.


Especialistas em logísticas prevêem que haverá congestionamento nos portos da Ásia e da Europa. Autoridades portuárias afirmam que alguns desses navios que ficaram parados em Suez ou que optaram por rotas mais longas chegarão junto com outras embarcações que estão cumprindo os prazos previstos.


“Esse atraso pode levar a uma concentração de volume”, disse Luigi Bruzzone, analista do porto de Gênova, um dos mais movimentados da Itália. “O que esperávamos ao longo de Abril agora se concentrará nas duas últimas semanas do mês.”

Com cerca de 12% do comércio marítimo global passando pelo Canal de Suez, o bloqueio atrapalhou o transporte de uma série de mercadorias, desde grãos até chips.


A empresa de dados de commodities Kpler disse que o acidente interrompeu os embarques de gás natural liquefeito do Catar, o maior exportador do mundo. “Haverá atrasos consideráveis no cronograma de carregamento em Ras Laffan [no Catar] no início de Abril”, alertou.


Por Valor, Com Dow Jones Newswires — São Paulo

30/03/2021

Fonte: Valor Econômico