Suíça libera entrada de brasileiros vacinados

Atualizado: Jun 28

Turista está entre os que mais gastam no país europeu

Pessoas na fila para entrar em Grindelwald, Suíça: país se reabre para visitantes estrangeiros de olho nos gastos acima da média dos turistas brasileiros — Foto: Stefan Wermuth/Bloomberg


A Suíça reabre as fronteiras para os brasileiros vacinados a partir de amanhã. Todas as vacinas usadas no Brasil (Coronavac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen) serão aceitas pelos suíços. A russa Sputnik V - que um grupo de governadores brasileiros tenta importar - não está entre os imunizantes que darão acesso ao país.


Os brasileiros também não precisarão mais ser submetidos a quarentena quando desembarcarem em solo suíço. O setor de turismo helvético comemorou, já que os brasileiros estão entre os visitantes que mais gastam neste que é um dos países mais

caros do mundo.


“Os turistas brasileiros são importantes para o turismo suíço, pois eles gastam 240 francos suíços [R$ 1.300] por dia em lazer,muito mais que os turistas suíços ou europeus”, afirmou o porta-voz do Departamento Suíço de Turismo, André Aschwanden.

Em comparação, os turistas nórdicos gastam 200 francos suíços por dia, os indianos, 310, e os chineses, 380 francos. A média de despesa diária de um turista estrangeiro é de 160 francos suíços.


Os turistas brasileiros têm perfil de gastos acima da média. Em 2019, eles deixaram US$ 10 bilhões nos EUA, o país mais visitado, com uma média de gastos de US$ 4.750 por turista, abaixo apenas dos chineses, de US$ 11.070, e bem acima de japoneses (US$ 3.433) e sul-coreanos (US$ 3.930), segundo a US Travel Association, que reúne o setor de turismo nos EUA. Para entrar hoje nos EUA, os brasileiros devem fazer quarentena de 14 dias em outro país que não tenha restrições das autoridades americanas.


Em 2019, antes da pandemia, a Suíça registrou 249 mil pernoites de turistas brasileiros, mas em 2020 houve queda de mais de 60%. Agora, as informações procedentes dos representantes do turismo suíço em São Paulo são de que brasileiros contam os dias para voltar a visitar o país - em média, 45% deles vêm de São Paulo, 14%, do Rio, e 9,5%, de Minas Gerais. Aschwander vê ainda há muita incerteza globalmente sobre a crise sanitária e o movimento de retomada das visitas será gradual.


No geral, porém, ainda é preciso ter paciência para o brasileiro viajar normalmente ao exterior. O site de viagem Kayak aponta que 111 países continuam fechados aos brasileiros, 102 estão abertos com restrições e apenas seis estão realmente abertos (entre eles, Albânia e Costa Rica).


Em bom número de países europeus muito visitados pelos brasileiros, como Espanha e Grécia, ainda é exigida a quarentena.

Por sua vez, em Portugal e na França, o Brasil continua na lista vermelha por causa do elevado número de contaminações.


A TAP deixa claro que só depende de as autoridades europeias abrirem as fronteiras para os brasileiros, para retomar mais voos para o país. Antes da pandemia, a TAP tinha 80 voos semanais para o Brasil e agora só 32, atendendo os casos de exceções, como brasileiros com também passaporte europeu e estudantes.


A Suíça diz que quer acolher toda pessoa vacinada mesmo se ela não vem da Europa. Mas que o governo se reserva ao direito de recuar rapidamente sobre esse ponto para os originários de um país onde uma variante perigosa circularia e se a eficácia de uma vacina fosse colocada em dúvida.


O governo suíço resolveu flexibilizar e simplificar bastante as medidas de luta contra o coronavírus no país. A obrigação de “home office” e de usar máscaras ao ar livre foram retiradas. Nos restaurantes, não haverá mais limite a até quatro pessoas por mesa.


Com relação aos estrangeiros, as pessoas vacinadas ou curadas podem entrar na Suíça provenientes de um país com uma variante preocupante, sem obrigação de teste nem de quarentena. Concretamente, o turista vacinado não precisa apresentar teste negativo contra covid-19, mesmo se vem de um país onde a variante delta é predominante - casos de Índia e Reino Unido.


A Organização Mundial do Turismo calcula que o turismo no estrangeiro recuou 64% no ano passado ante 2019 e perdeu receita de US$ 1,1 trilhão. Neste ano, entre Janeiro e Março a queda no número de turistas foi de 83% comparado ao mesmo período do ano passado, quando a pandemia começou realmente a atacar globalmente. No entanto, a expectativa é que a confiança esteja voltando e até 2022 uma recuperação no turismo será mais sólida. (Colaborou Ana Conceição, de São Paulo)


Por Assis Moreira — De Genebra

25/06/2021

Fonte: Valor Econômico