TSMC investirá US$ 44 bi em capacidade de produção

Recursos são 32% acima de 2021 e desafiam avisos de analistas


Companhia construiu enorme fábrica no Sul de Taiwan para produzir chips avançados e constrói outra nos EUA — Foto: Divulgação



A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior produtora terceirizada de chips do mundo, planeja elevar os investimentos em bens de capital em mais de 30% neste ano, desafiando alertas de analistas que preveem uma perda de força na demanda por aparelhos tecnológicos.


A empresa anunciou em 13/01 planos para investir US$ 44 bilhões em bens de capital neste ano, 32% acima de 2021 e o triplo do total de 2019. A iniciativa coloca em evidência o gigantesco papel conquistado pelos chips na manufatura de produtos que vão muito além dos artigos eletrônicos clássicos, já que também ganharam mais espaço nos carros e equipamentos industriais. Também reflete o domínio da TSMC na produção mundial de semicondutores.


O volume do investimento da TSMC “colocará um teto” aos planos ambiciosos da Samsung, rival mais próxima da TSMC na produção de chips para terceiros, e aos da Intel, que também entrou no segmento, na tentativa de desafiar a liderança da empresa taiwanesa, disse Dylan Patel, da Semianalysis.


“Intel e Samsung terão que suar para acompanhar o ritmo de toda essa escala que a TSMC está planejando”, disse Patel, em análise ontem sobre o anúncio.


A TSMC construiu uma enorme fábrica no Sul de Taiwan para produzir chips avançados de 3 nanômetros, uma tecnologia cuja produção deverá começar ainda neste ano. Também está construindo nos Estados Unidos uma nova fábrica de chips de 5 nanômetros, a tecnologia mais avançada atualmente em produção.


A empresa destacou que a expansão é necessária porque a demanda por seus chips deverá continuar tendo altas superiores a 10% nos próximos anos, ainda que alguns analistas projetem uma desaceleração depois da onda de expansão dos últimos dois anos.


“Vemos que a demanda do mercado final pode desacelerar-se em termos de unidades, mas o conteúdo de silício está aumentando”, disse o executivo-chefe da TSMC, C. C. Wei. “Portanto, mesmo se houver uma desaceleração, acreditamos que ela será menos volátil para a TSMC. Então, esperamos que nossa capacidade [produtiva] continue pressionada em 2022.”


A empresa prevê aumento de ao menos 25% na receita este ano. Se a TSMC alcançar a meta, superaria o crescimento da indústria de chips para terceiros como um todo em pelo menos 5 pontos percentuais e cresceria o triplo do ritmo do mercado total de semicondutores.


Muitos analistas têm previsto uma estabilização do crescimento da demanda por tecnologia, especialmente no segmento de telefones celulares, fonte da maior parte da receita da TSMC.


“2021 foi definitivamente um ponto bem alto, mesmo se levarmos em conta os últimos dez anos”, disse Kristine Lau, sócia da Third Bridge, uma consultoria de tecnologia. Ela acrescentou que a revisão para baixo das recentes projeções para a demanda em 2022 das marcas chinesas de smartphones, além da TSMC, também afetaria a MediaTek, a empresa taiwanesa de design dos chips, que atende a maioria dos fabricantes chineses de smartphones.


A projeção otimista da TSMC chega após a empresa ter registrado lucro líquido de 166,2 bilhões de novos dólares taiwaneses (US$ 6 bilhões) no quarto trimestre, 16,4% a mais do que nos mesmos meses de 2020, com um aumento de 21,2% na receita.


“Isso é ganho de participação [de mercado], é preço, é crescimento unitário”, disse Wei.


A TSMC estimou há um ano que a indústria de chips estava entrando em um período de vários anos de crescimento estruturalmente mais alto, impulsionado pela proliferação do uso de semicondutores em vários setores e esferas da vida humana e pelo aumento do uso da computação.


Essas tendências, que estiveram refletidas no lançamento dos serviços de telecomunicações 5G; no uso de inteligência artificial em quase tudo, desde o setor de entretenimento até o de automação de fábricas; e na pilotagem autônoma incrementaram a demanda pelos chips da TSMC a ponto de a fabricante de chips precisar correr para construir mais capacidade de produção, segundo a empresa.


A pandemia proporcionou um impulso extra, ao criar uma demanda inesperada pelos aparelhos tecnológicos necessários para o trabalho remoto. Esse salto na demanda, somado ao quadro de interrupções mundiais nas atividades de fabricação e logística, assim como a falhas de planejamento diante da pandemia, provocou uma situação persistente de escassez de chips, que deu à TSMC ainda mais influência sobre o mercado.


A empresa elevou preços e exigiu que muitos de seus clientes pagassem antecipado para garantir o fornecimento, uma prática raramente usada antes de 2021. A empresa recebeu US$ 6,7 bilhões em pagamentos antecipados em 2021 e prevê uma quantia ainda maior neste ano, segundo Wendell Huang, diretor de finanças.


A margem de lucro bruto da TSMC, impulsionada pela forte demanda e pelo uso total da capacidade produtiva, chegou a 52,7% no trimestre encerrado em Dezembro e deve ultrapassar 53% em 2022. (Tradução de Sabino Ahumada).


Por Kathrin Hille — Financial Times, de Taipé

14/01/2022

Fonte: Valor Econômico