Com novo perfil, Camex reativa conselho privado

Empresários, consumidores e acadêmicos terão assento


A Câmara de Comércio Exterior (Camex) reativa nesta quinta-feira, com um novo formato e após diversos anos no limbo, seu conselho consultivo do setor privado. Ele terá duas dezenas de representantes da sociedade civil, divididos entre porta-vozes do meio empresarial (indústria, serviços e agronegócio), do mundo acadêmico e de entidades de direito dos consumidores. O ministro da Economia, Paulo Guedes, participará amanhã da retomada do grupo e pretende usá-lo, conforme suas palavras, para “oxigenar” as discussões sobre os próximos passos da política comercial.


O secretário-executivo da Camex, Carlos Pio, afirmou que mais de 300 associações empresariais procuraram o governo com interesse em participar do colegiado. A preferência, no entanto, foi por montar um conselho mais plural e com visões que não se restringissem estritamente aos empresários. “O setor privado é amplo e complexo. Somos nós consumidores que entramos numa concessionária para adquirir um carro novo, são os pequenos que precisam adquirir insumos e tecnologia”, observou.


A ideia é reunir o Conex - sigla do conselho - duas vezes por semestre. Estarão representadas as três maiores confederações patronais (CNI, CNA, CNC), com seus presidentes como membros titulares, e nove dirigentes de empresas. Embraer, Copacol, Stefanini e Indústria Brasileira de Metais estão na lista. A Proteste entrou como porta-voz dos consumidores. A Câmara Internacional de Comércio (ICC Brasil), os pesquisadores Honorio Kume e Sandra Rios e o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues também compõem o colegiado.


Do lado do governo, são dois integrantes: o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Roberto Fendt, e o secretário-geral do Itamaraty, Otávio Brandelli. Não se trata de um canal de decisão. Será um fórum para consultas, explicou Carlos Pio, mas no qual o Poder Executivo tem real interesse em ouvir e discutir estratégias mais amplas.


O secretário da Camex ressalta: “A pauta não é do governo. O objetivo não é ter uma caixa de ressonância dos interesses oficiais nem buscar apoio para eventuais medidas. Queremos ouvir. E o próprio ministro diz que quer oxigenar o debate sobre a política comercial. Aumentar a produtividade do setor privado brasileiro depende do comércio exterior para o acesso a tecnologia, insumos e serviços”.


Carlos Pio exemplifica: a burocracia em Brasília pode discutir temas como a reforma tributária, o 5G e novos acordos comerciais - mas às vezes tem dificuldade em entender como esses temas batem na ponta. Desde o uso de uma nova tecnologia nos sistemas produtivos à aplicação de um imposto em operações privadas.


A recriação do conselho, por meio de um decreto presidencial publicado em outubro de 2019, ocorre após anos sem reuniões na reta final do governo Dilma Rousseff e na gestão Michel Temer. E sua reativação se dá em meio às críticas crescentes a Paulo Guedes pela falta de avanços na agenda de liberalização comercial que o ministro defendeu abertamente durante a campanha eleitoral. Temas como a reforma da Tarifa Externa Comum (TEC) ficaram sem progresso.


Por Daniel Rittner — De Brasília

Fonte: Valor Econômico - 09/12/2020

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